sexta-feira, 4 de julho de 2014

ZUÑIGA E “AJUDA” DA IMPRENSA TIRAM NEYMAR DA COPA

A lesão de Neymar pode ser entendida como de responsabilidade de Zuñiga e de outros.

A bola já estava em contato com o craque. De repente, por trás, um sujeito vem com o joelho no meio das suas costas. Não havia a menor chance do colombiano Zuñiga pegar a bola de Neymar. Sendo assim, não há desculpas. É pura covardia!

Mas, a culpa é apenas de quem pratica tal atitude? Acredito que não.

Passamos a semana inteira com uma grande parte da imprensa brasileira ofendendo a capacidade psicológica dos jogadores do próprio país.

Uma imprensa que criticava o choro, a emoção e, no limite, o empenho da equipe brasileira, uma dedicação tão grande que ficou inevitavelmente exposta após a dramática classificação contra o Chile. Atitude que ao invés de elogios ganhou, da maioria, críticas.

Essa mesma imprensa também engrossou (ou até puxou) o coro da existência de uma possível ajuda da arbitragem para a Seleção Brasileira. Isso desde o início da Copa, desde o primeiro jogo.

copadomundo.uol.com.br
Imprensa que, por outro lado, calou diante das constantes agressões sofridas por Neymar, principalmente após o primeiro jogo mais decisivo – ou seja, contra o Chile.

Em resumo:
A imprensa preocupou-se em agredir a Seleção com a desculpa do choro e, indiretamente, ajudou a expor os craques às pancadas desleais dos adversários.

Neymar? Está hospitalizado e fora da Copa.

FIFA? Apenas não admite a mordida de Suarez que, diante da atitude de Zuñiga, não passa de uma brincadeira infantil.


Imprensa? Pergunto-me se não há muitos que agora estão vibrando.


quinta-feira, 3 de julho de 2014

NEYMAR, JÚLIO CÉSAR E THIAGO SABEM QUE 1950 NÃO ESTÁ TÃO LONGE DE 2014

Sobre os choros, as dores, os temores dos garotos da Seleção – e são garotos mesmo! – é preciso compreensão.

Não se pode esquecer que por mais que Neymar, Júlio César, Thiago Silva e outros não tenham estudado profundamente o caso, é obvio que eles têm certo conhecimento do mundo do futebol e, principalmente, da história do futebol brasileiro.

Eles sabem o que lhes aguarda caso haja uma derrota. Não importa como joguem.

Eles sabem como está sendo a vida de Dunga e como foi o ostracismo de Lazaroni.

Sabem também como foi dolorido até o fim para Feola - mesmo que ele tenha sido o técnico do 1º título, em 1958. Vicente Feola morreu triste, após a eliminação de 1966.

E o que dizer de 1950? Eles, os nossos craques de hoje, que estão se matando quase que literalmente em campo, de alguma forma já ouviram dizer o que eu acabei por estudar (Memórias em jogo: futebol, Seleção Brasileira e as Copas do Mundo de 1950 e 1954).

Eles sabem que a 1ª Copa no Brasil, apesar do vice-campeonato, foi catastrófica para as biografias dos envolvidos.

Coluna de Odilon Braz no semanário Mundo Esportivo, 
de São Paulo, edição de 21/07/1950
(http://impedimento.org/
direto-de-1950-uma-cronica-do-maracanazo/)
Zizinho, Bigode, Zezé Moreira, Barbosa e outros, tiveram suas vidas prejudicadas irreversivelmente. As memórias desses vice-campeões – nunca o Brasil havia chegado tão longe – denunciam o arraso que o Maracanazzo causou às suas respectivas vidas.


Mário Filho, José Lins do Rego e outros mostraram direitinho como a imprensa devia fazer. E hoje, a maioria de nossos jornalistas são catedráticos em tal doutrina.



quarta-feira, 2 de julho de 2014

A REAÇÃO DOS PRETERIDOS E QUE SOFRA A SELEÇÃO

É pesada a disputa pela audiência, sofre é a Seleção Brasileira no mundial em seu próprio país.

É fácil reconhecer muitos dos problemas que apresenta CBF, Globo e muito da imprensa escolhida por Felipão para uma conversa mais íntima, ainda mais sendo esta uma semana difícil, ás vésperas do jogo pelas quartas contra uma Colômbia que sabe se impor.
www.humortadela.com.br

Contudo, nós que acompanhamos a imprensa esportiva no dia-dia, sabemos que os não convidados também são craques em deturpar situações, em "criar" boas (para quem?) histórias.

Clóvis Rímoli, por exemplo, esbraveja contra o evento em longa postagem no R7.

Só que é preciso lembrar que ele é pago pela TV do Edir Macedo, Record que não tem direitos de cobertura dos campeonatos da CBF, tão pouco da Copa.

E como Fábio Chiorino (@FChiorino) do bom site Esporte Fino twittou: “É uma estupidez criticar o Juca kfouri e o PVC [Paulo Vinícus Coelho] por participarem do encontro quase secreto com o Felipão. Melhor do que entrevistar o sósia”.



* Para quem não sabe, o jornalista da Veja e da Revista Piauí, Mário Sergio Conti, teria conseguido em pleno voo uma exclusiva com o técnico Luís Felipe Scolari após o 2º jogo da Copa, contra o México. Porém, o Felipão era Wladimir Palomo, seu sósia. Confira aqui.

terça-feira, 10 de junho de 2014

COPA DAS COPAS E O HOMEM CORDIAL

Levar vantagem em tudo, um lema de muitos.

Triste perceber o quanto estamos rodeados pelo individualismo, egoísmo puro e simples. 

E a  Copa do Mundo no Brasil de 2014 permite que isso fique claro.

A cidade que pleiteia o movimento num dia e, dado aos limites do evento, não se torna sede ou recebe delegações, simplesmente passa a ignorar tudo. 


Famoso comercial do craque Gerson,
tricampeão de 1970.
Ao contrário das outras cidades da região, no início do torneio com a Seleção Brasileira jogando não decreta feriado, não menciona de jeito nenhum a Copa a não ser para difamá-la.

O mesmo acontece com muitas pessoas.


"Não consegui ingresso, não lucrei de alguma forma com isso, escracho com tudo." Mas, na hora de uma farrinha, horinhas de festa, descontração, passam subitamente ao verde-amarelismo. 

Odeiam futebol, mas no dia que cismam à torcer, cornetam como se vivessem uma enorme ligação com o jogo.

Aqueles que têm seu emprego, sua renda razoável, e naturalmente ficam de fora dos programas assistenciais, se mordem com o auxílio.

 
Terrível demonstração do que Sérgio Buarque de Holanda definiu um dia como Homem Cordial.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A COPA DO MUNDO É NOSSA E SEM COMPLEXO DE VIRA-LATAS

Carta aberta aos que negam a Copa do Mundo do Brasil

Não tenho nada contra, as pessoas devem torcer por quem quiser ou nem torcer. Obvio, não?
Aliás, estou certo que paixão clubística sempre foi mais forte que o sentimento pela Seleção.
Também concordo com as angústias provocadas por corrupção, por desvio de verbas públicas para serviços essenciais. E tudo mais.
Contudo, o que me indigna é tudo isso ser direcionado para esta Copa do Mundo. Para o Brasil de 2014.
Por que esta? Por que tanta indignação?
Em qual Copa da História a situação foi outra? 
1950, por exemplo, pode ser considerado como o marco definitivo do futebol em nossas vidas tupiniquins. Lá foi diferente? Não houveram casos de falcatruas; o próprio Maracanã era questionadíssimo.
1982, que Brasil vivíamos? 1994, 1998, época de recessão, crise, pobreza e miséria. E qual outra fora melhor?
Antes da CBF tínhamos a CBD. 
Pô! Os caras mudaram a cor tradicional, o branco da Seleção já conhecida mundialmente! Vários tiozinhos da época entristecidos para sempre - tenho uma entrevista do grande Domingos da Guia para o MIS, é nítida a sua decepção em pleno anos 1970.
A galera da Ju-Jovem lá da Rua Javari tem o lema "Ódio eterno ao futebol moderno", lindo. Mas, quem quer seu clube como o Juventus? Quem não "brinca" (leia-se, humilha) com o declínio de alguns clubes como o tradicionalíssimo Juventus da Mooca?


Realmente, considero todas as reclamações, angústias, todas! Mas, levando ao pé da letra, odeie o próprio futebol de alto nível desde seu início, no longínquo século XIX!