segunda-feira, 13 de novembro de 2017

E a Copa do Mundo 2018 começou, não para Itália!

A única campeã do mundo que não estará em 2018 será a Azzurra.

A tetracampeã.
A Seleção do gigantesco Gianluigi Bufon.

A Seleção do zagueiro bola de ouro, que contrariou a lógica dos atacantes: Fabio Canavarro.

A Seleção de Salvattore "Totò" Schilaci, jogador que fez história na Copa não vitoriosa de 1990.

A Azzurra de Paolo Rossi, carrasco da Seleção Brasileira, do futebol-arte, de 1982.

A Seleção que fez final com os brasileiros duas vezes: 

  • que foi vice no penal desperdiçado por Roberto Baggio, em 1994, 
  • e que foi vice novamente na final impossível de se mudar o planos dos deuses, em 1970.

A Seleção que não viu o nascimento do Édson - Pelé pro mundo - em 1958.

A Azzurra de Mussolini, que sediou e teve que vencer a Copa de 1934.

A Seleção que desistiu do primeiro mundial, logo em terras de tantos “oriundis”, na América – tão longíqua para o ano de 1930.

Enfim, 2018 não existirá para tantos italianos natos e, em grande parte, também para os descendentes espalhados pelo mundo, que jamais deixavam de torcer pela Squadra Azzurra, cada um à sua maneira.


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Botafogo x Nacional, Peñarol x Palmeiras: Libertadores 17 e o Uruguai tão perto de 50

Obdúlio Varela
(pt.wikipedia.com)
Na primeira metade do século XX só deu Uruguai. Depois do bi-olímpico (1924-28), veio a 1ª Copa do Mundo (1930) e a Copa no Brasil, em pleno Marcanã (1950).

Sucesso!

Feitos espetaculares que consagraram a hegemonia da Celeste Olímpica, ao mesmo tempo em que parecem ter prejudicado o desenvolvimento do futebol nesse país de pequenos limites territoriais, mas de grandes mitos!

E o maior deles, Obdúlio Varela!

Jogador negro, capitão da seleção uruguaia, de forte complexão física que teve muito de sua imagem encorpada pelas crônicas brasileiras, principalmente, depois do fatídico Maracanazo:

“(...) E foi em meio ao silêncio mortal de duzentos e vinte mil brasileiros que Gigghia fez o segundo gol. Avançou como da primeira vez, Bigode recuando, recuando. (...)”
Na visão de quem escreve (Mário Filho), Bigode recuara por ter sido antes coagido pelo capitão uruguaio, à base de agressão física e de assédio moral: 
Tudo começara quando aquele uruguaio dera uns safanões em Gigghia e em Bigode. Gigghia crescera com o carão em público de Obdúlio Varela. Bigode se acabara.” (RODRIGUES FILHO, 1964: 334).

Ou seja, Mário Filho construiu uma narrativa que, pelo viés da violência, tanto fez crescer o poder de Obdúlio Varela e dos uruguaios quanto inseriu a marca da covardia nos jogadores brasileiros.

Algo que em 2017(!) continua à reverberar. É só olhar para a Libertadores desse ano.

Primeiro, os dois eletrizantes confrontos entre Palmeiras e Peñarol: jogos de viradas espetaculares (3 a 2, por duas vezes) e que contou com a presença de um tipo Obdúlio, Felipe Melo, só que dessa vez brasileiro.

Melo ameaçou socar e dessa vez com as milhares de câmeras pode-se afirmar convictamente, socou!

Isso durante uma pancadaria que começou depois que o time brasileiro consolidou sua vitória. Os uruguaios partiram pra cima, fecharam os portões, emboscaram o time e a torcida verde para o apavoramento de qualquer um, de qualquer lado, bastava que tivesse um pouco mais de sanidade.

Em seguida, foi a vez do Nacional. Time e torcida desceram botinas, cotoveladas e pontapés em pleno Engenhão, depois que já tinham a certeza da impossibilidade da vitória diante do aguerrido Botafogo.

Futebol?
Nem Nacional, nem Peñarol.

Mesmo diante das fracas equipes brasileiras, a Libertadores de 2017 mostra que, ao longo desses últimos 67 anos, no Maracanazo quem perdeu mesmo foi o Uruguai.

Felipe Melo e o soco no jogador do Peñarol. (pt.wikipedia.com)



RODRIGUES FILHO, Mário. O negro no futebol brasileiro. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Neymar e PSG explicam o Mundo

pt.wikipedia.org
A premissa que inspira este blog e as reflexões deste apaixonado por Futebol , não canso de repetir, vem de uma definição criada pelo grande historiador Hilário Franco Jr.: “Futebol é metáfora da vida”.

Se é assim, como não aproveitar o caso Neymar e sua transferência para o PSG para perceber esse atual estágio do sistema capitalista, permeado pelo chamado neoliberalismo?

O caso na mídia - especializada ou não – passa por questões mais pessoais, com perguntas do tipo: “você acha que Neymar fez o certo?” “A fera vai ganhar a bola de ouro?” “Vale ir pro fancesão?” “Neymar foi ético?” “Coitadinho do Barcelona”(sic) etc.

Infelizmente, pouco se reflete sobre o quanto a transação Neymar – PSG é representativa nesse mundo “capEtalista”... E antes que você se irrite e me chame de coisas do tipo “petralha”, “comunista”, vamos aos números.

O site da BBC, noticia de forma meio assustada os 222 milhões de euros envolvidos na transação e lembra que o valor “esmaga o recorde anterior”, quando Paul Pogba sai da Juventus de Turin para o Manchester United por 89 milhões.

E aí temos o gráfico das transações milionárias desde 1995 até o “esmagador” Neymar.
Após analisar o gráfico, perceba o porquê até o todo-podero Barcelona chia à respeito do negócio:


O gráfico explica muito desse nosso mundo, é só comparar com os que se referem à economia mundial. 

Lembro de uma matéria da Revista Exame, atualizada em 2015, em que se reproduz dados da ONG britânica Oxfam.

Gráficos que revelaram “dados assustadores sobre a evolução da desigualdade no mundo nos últimos anos” – palavras da própria Exame que, convenhamos, está longe de usar referências vermelhas...

“Na coluna da esquerda, está a proporção da riqueza global. A linha verde é a dos 99% mais pobres e a linha roxa é do 1% no topo”, olhe e - você que não é nenhum Barcelona - se assuste:




“As linhas pontilhadas apontam a concentração no futuro próximo caso a tendência entre 2010 e 2014 continue inalterada”, estamos em 17 (só pra lembrar) repare e sofra:




“A linha roxa é a riqueza nominal dos 80 mais ricos e a linha verde é a riqueza da parcela dos 50% mais pobres”, chore:

A ONG britânica finalizava com as seguintes dicas (entre outras) para mudar a dura realidade:

“Concordar com uma meta global de enfrentamento da desigualdade” (“ah, esses petralha!”);

“Garantir redes de segurança para os mais pobres, incluindo uma garantia de renda mínima” (essa é parte que as panelas menos curtem);

“Introduzir legislação de pagamento igualitário e promover políticas econômicas que deem às mulheres uma recompensa justa” (Temer’osos com o fim das leis trabalhistas?);

“Investir em serviços públicos livres e universais como saúde e educação” (Comunas ingleses?);

É... diante desses números e dessas dicas da Oxfan, diante tamvbém do rumo que o Brasil “decidiu” tomar e do caso Neymar-PSG, fiquemos com as choradeiras dos programas de domingo e acreditando que “querer é poder”, seja para uma Portuguesa de Desportos, seja para um jogador de futebol do Mogi Mirim, seja para um trabalhador terceirizado.
pixabay.com