Desde o 7 a 1, é muito
mais difícil pensar no desenrolar dos acontecimentos políticos do
país que nas mazelas profundas do nosso futebol.
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| Gaviões da Fiel, Pacaembu, 3/4/2016, no derby contra o Palmeiras. (Luciano Deppa) |
Ah, Futebol...
Fenômeno que serve
para interpretar o contexto da sociedade, uma espécie de espelho,
“metáfora da vida” (salve, professor Hilário Franco Jr.!).
Mas, que também em seu
sentido mais primário - e de tão óbvio, nem abordamos tanto tal
faceta - o futebol serve para entreter, para dar prazeres, para
oferecer “simples” distrações.
Como diziam os
acadêmicos marxistas dos anos 1970, “o ópio do povo”. Como diz
o jornalista sensacionalistada atualidade, “a coisa mais
importante, das desimportantes” (Milton Neves).
E ontem, logo eu,
queria apenas isso. Uma distração.
Semelhante ao viciado
privado de sua droga, eu, desesperado, fazia o controle remoto ferver
na busca por uma mísera partida.
E sim. Eu sabia que não
estavam previstos jogos por causa das famigeradas eleições.
Claro que eu sabia que
a rodada da série A do Brasileiro, só se completaria na segunda.
A Série B? Sei que a
rodada se inicia invariavelmente na terça.
Série D? Eu vi o jogão
da final, no sábado! Tinha visto a bela vitória do Volta Redonda –
que lhe deu o título e rendeu grande festa no Rio de Janeiro –
frente ao também tradicional CSA das Alagoas.
Contudo, não sei
porque, mas me veio a certeza repentina que a Série C seria jogada
no início da noite do domingo... Essas certezas que tenho
repentinamente, que nem eu sei de onde tiro. E, claro, para meu
desespero, esperei para confirmar que estava errado: só seria jogada
a primeira partida decisiva das quartas de final, entre Juventude e
Fortaleza, na segunda-feira, praticamente no mesmo horário de Santa
Cruz e Palmeiras, pela série A.
Que restou-me, então?
Tempo para pensar...
Tempo para se informar
sobre a rápida e dolorosa apuração das eleições municipais 2016.
Tempo para se inconformar com resultados arrasadores para as nossas
instituições democráticas, já tão combalidas pelo golpe de maio
que aniquilou 54 milhões de votos, diante do “sim” de 300.
E eu admito que já
imaginava que seria assim! E, óbvio também que esse futebol
elitizado (gourmetizado, para usar uma expressão tão em voga)
também não passa imune a um processo que cada vez mais afasta o
povo.
E eu que queria apenas
esquecer. Deixar para segunda, para se indignar. Por isso, precisava
de um joguinho despretencioso. E um miserável 0 a 0 já estaria bom.
Mas, tive que me contentar com o sorriso milhonário de João Dória
Jr., cercado por figuras como Geraldo Alckimin e Fernando Capez.
Quanto à merenda? …
Quem lembra? Só a Gaviões da Fiel, que ao deixar o “ópio”,
apanha como nunca por insistir em lembrar...



