quarta-feira, 10 de agosto de 2011

UNIFORME DA SELEÇÃO BRASILEIRA - UM POUQUINHO DE HISTÓRIA

Originalmente, as cores que representam o futebol brasileiro, enquanto entidade administrativa ligada a FIFA, são o azul e o branco. A relação entre a entidade que organiza(?!) o futebol profissional no Brasil e o verde-amarelo não é tão intensa quanto normalmente se coloca.


No ano de 1979, surgia a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A partir dali, seria ela a entidade específica para comandar um esporte que, na verdade, já era, desde sempre, a menina dos olhos da antiga responsável, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD -fundada em 1916).

O surgimento da CBF se tratava “apenas de uma mudança de siglas”, conforme comentou uma reportagem da Rede Globo levada ao ar por aqueles dias do ano de 1979:



http://bnlfootballjersey.blogspot.com/
HERANÇAS CBD - CBF

Portanto, ao nascer a CBF herdava a administração do futebol brasileiro da CBD, sem grandes mudanças:


No comando, permaneceria o que hoje pode ser tranquilamente interpretado como uma verdadeira dinastia: a Havelange.


Entre seus símbolos, o principal deles no que toca à identidade da instituição, o escudo. Assim, o azul e branco, cores oficiais da CBD, também foram herdados e devidamente conservados pela CBF.


Já, com relação ao uniforme, o verde e amarelo presente na camisa da Seleção há 26 anos e já consagrado após os três campeonatos mundiais, era um presente que veio de uma ação engendrada pela CBD em setembro de 1953.



(A Gazeta, 5 de janeiro de 1954)

DO BRANCO PARA O VERDE-AMARELO

Diante de insucessos em competições internacionais, das desavenças políticas de um período conturbado no cenário político brasileiro – e não apenas no âmbito do futebol – e, ainda, frente às novidades trazidas nos anos 1950 – os “Anos Dourados” -, a CBD em conjunto com setores da imprensa decidiu trocar as cores do uniforme da Seleção Brasileira.

Um concurso de dimensões nacionais foi, então, levado à frente, o vencedor foi um jornalista e estudante de direito de 18 anos, Aldyr Garcia Schllee.

57 anos depois. Deu uma entrevista dizendo que, de certa forma, ficou incomodado com o que fizera. Alterara as cores do que já havia se firmado como uma tradição no Brasil e no mundo.
O jovem, nascido em Jaguarão, cidade da fronteira gaúcha com o Uruguai - um dos motivos que o fizeram declarado torcedor da Celeste Olímpica -,
Segundo ele próprio, esse foi o principal motivo para suscitá-lo “a despejar o azul e branco nas meias e calções" com “tinta guache holandesa, que foi paga em prestações por quase um ano".

Uma ideia somada ao verde-amarelo da camisa que lhe valeu a vitória naquele concurso, enquanto, para outros, era a representação de outras derrotas. Foi assim para José Maria Castelo Branco, um dos dirigentes que engrossava o coro dos que se declaravam francamente contrário à ideia. Como parece ter sido também para Zizinho, que segundo o próprio Aldyr, na solenidade de mudança do uniforme lhe sussurrou ao pé do ouvido: ‘Não esquenta, isso tudo é uma merda’ [1].


[1] Ver: Torcedor do Uruguai, criador do uniforme verde-amarelo compara Neymar a Garrincha”, de Thais Bilenky, Anna Virginia Balloussier, Folha treinamento, de Capão do Leão (RS), 21/06/2010-17h17. Disponível em: <http://treinamento.folha.com.br/12emcampo/enquantoissonobrasil/754637-torcedor-do-uruguai-criador-do-uniforme-verde-amarelo-compara-neymar-a-garrincha.shtml> Acesso 17 Nov. 2010.





terça-feira, 9 de agosto de 2011

CBF, DONA DO BRASIL

Domingo, no caderno de esportes da Folha de São Paulo, teve destaque a disputa judicial entre a Coca-Cola e CBF pelo uso da camisa de cor amarela em campanhas publicitárias.

É isto mesmo! Há uma disputa judicial pelo uso do amarelo na camisa, quando relacionado ao tema futebol. Não se trata de utilizar a camisa oficial da Confederação Brasileira de Futebol, com o escudo da entidade. Apenas, e tão somente, se trata de usar amarelo!

Na matéria “Amarelo tem dono?”, Lucas Reis comenta: “A justiça do Rio de Janeiro condenou a Coca-Cola, em segunda instância, a indenizar a CBF por utilizar, em comercial veiculado na TV no ano passado, ex-jogadores da seleção brasileira vestindo a vitoriosa camisa amarela.”

Bebeto, Biro-Biro e Dadá Maravilha são os ex-jogadores. O uniforme que vestem, longe de qualquer campo de futebol, é uma camisa amarela, com um símbolo totalmente descaracterizado e calção verde. Vale relembrar:



A questão que fica, como bem destaca a reportagem, é o quanto a CBF tem direito sobre as cores que, no limite, historicamente foram utilizadas para se representar a nação brasileira.

Como a Coca-Cola mencionou em sua defesa: “A CBF não detém o direito sobre o verde-amarelo, cores que remetem à bandeira do país”.

O fato é que a CBF não apenas se sente dona do amarelo, mas se enxerga proprietária de tudo que se relaciona ao futebol.

Há anos a gigante da indústria de bebidas (até ela!), que é ligada a FIFA, reivindica o direito de fazer campanhas no Brasil que remetam ao esporte.

A Rede Record e outras mídias denunciam, cotidianamente, falcatruas de Ricardo Teixeira, de dirigentes e de empresas que mandam e desmandam no universo do futebol brasileiro.

Nós, amantes do esporte, não apenas somos reféns dos horários inadequados impostos pelos acordos CBF-Rede Globo, como também somos submetidos e prejudicados por tantas outras determinações autoritárias de uma entidade comandada a mais de meio século por uma única família (Havelange, da qual Teixeira incorporou-se).

 
 

domingo, 7 de agosto de 2011

Futebol e Educação, Ronaldinho e Professora Amanda: Contrastes e nada mais!

Estudo e futebol não combinam? Ou não devem jamais combinar?


No último dia 2, em odiario.com, a professora Cristina Mott Fernandez, do Instituto de Línguas da Universidade Estadual de Maringá, no texto “Mídia, futebol e educação”, fez uma importante comparação:

Por um lado, a professora Amanda que ganhou notoriedade após a postagem de um pronunciamento seu no Youtube onde, em frente às autoridades da educação de seu estado, foi categórica ao relatar o sucateamento do sistema educacional local e nacional.

Por outro, o jogador Ronaldinho Gaúcho que foi homenageado pela Academia Brasileira de Letras.

Disse a professora universitária:

“No início de julho, a professora Amanda virou notícia novamente. O Pensamento Nacional de Bases Empresariais (PNBE) conferiu o prêmio Brasileiros de Valor 2011 para a professora potiguar, pelo seu posicionamento. A professora recusou o prêmio e expôs seus motivos. (...) disse em carta destinada ao júri do 19º premio PNBE:

‘Embora exista desde 1994 esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora comprometida com o movimento reivindicativo de sua categoria. Evidenciando suas prioridades, esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação’.”

Por outro lado: “(...) em abril do corrente ano, o jogador do Flamengo, Ronaldinho Gaúcho, recebeu a Medalha Machado de Assis, condecoração concedida à personalidades brasileiras pela Academia Brasileira de Letras (ABL), por conta da comemoração do 110º aniversário do imortal José Lins do Rego, um dos mais ilustres torcedores rubro-negros.

Não seria estranha tal homenagem se a honraria não tivesse sido oferecida pela ABL à alguém que admitiu nunca ter lido um livro. A justificativa da escolha foi o amor do escritor pelo Flamengo ao qual dedicou um livro de crônicas.

Ronaldinho, ao contrário da professora Amanda, nem hesitou em aceitar tal honraria (...). Todavia, tal honraria pode passar a mensagem de que estudar é uma perda de tempo, é muito difícil e exige sacrifícios. O que importa é tentar ser jogador de futebol ou outra atividade que proporcione um mundo glamoroso (...).

Esta situação, trazida de forma perspicaz pela professora universitária, não é nova. Muito pelo contrário. Determinados grupos parecem querer contribuir para que a maioria dos jovens vislumbrem apenas o futebol e outros espaços como meio para encontrar um lugar na sociedade.

Gilberto Freyre, ainda em 1947, já entendeu funcionar assim o futebol para as camadas populares da nação: “Para sair da irracionalidade e ir à ‘sublimação’, antes a oportunidade estava ‘nos feitos heroicos ou ações admiráveis que o Exército, a Marinha e as Revoluções mais ou menos patrióticas abriam aos brasileiros brancos e, principalmente, mestiços ou de cor, mais transbordantes de energias animais ou de impulsos irracionais (...). [Tem o futebol] Numa sociedade como a brasileira, em grande parte formada de elementos primitivos em sua cultura, uma importância toda especial (...).”

Portanto, seja via Academia Brasileira de Letras, hoje em dia, seja via os literatos e estudiosos de ontem, a falta de motivação para a maioria dos jovens brasileiros permanece como parte da dura realidade de um país que pouco valoriza a universalização da educação; fato que a professora Amanda denunciou e os demais educadores convivem diariamente em suas atividades.

Por que não utilizar o futebol para aproximar os jovens dos estudos? Para transmitir o valor da educação para o próprio desempenho dos inumeros profissionais envolvidos diretamente com esta rentável atividade?